Benedito Ruy Barbosa não perdoava mudanças em roteiros e telefone do set vivia tocando; entenda
Mudar o texto do mestre Benedito Ruy Barbosa? Nem pensar! Sérgio Reis e Almir Sater contam histórias de bastidores e revelam como o autor de "Pantanal" controlava tudo com braço de ferro. Veja!
O adeus a um gigante das novelas
O velório do escritor Benedito Ruy Barbosa mexeu com o coração de muita gente na capela Funeral Home, em São Paulo. Mas, além da tristeza da despedida, o momento serviu para os amigos lembrarem de histórias divertidas e curiosas de bastidores, daquelas que mostram bem como o criador de sucessos como "Pantanal" e "O Rei do Gado" trabalhava duro.

Quem abriu o jogo e contou tudo foram os cantores sertanejos Sérgio Reis e Almir Sater. Os dois estouraram no Brasil inteiro atuando nas novelas de Benedito e conheciam muito bem a fama de durão do chefe. Segundo eles, o autor não aceitava que mudassem uma linha sequer do que ele escrevia. Se alguém inventasse de improvisar, o tempo fechava.
O telefone do estúdio não parava de tocar
Em conversa com o portal g1, os músicos explicaram que Benedito queria ter controle absoluto de tudo o que ia para o ar. Ele tinha uma ideia fixa de como a história deveria ser contada e ai de quem tentasse mudar. Sérgio Reis lembrou rindo que o dramaturgo chegou a bater de frente com o diretor da novela em tempo real porque viu algo de errado na TV.
O causo mais marcante aconteceu lá em 1990, nas gravações da primeira versão de "Pantanal", na extinta TV Manchete. Na época, o diretor da novela era o famoso Jayme Monjardim. Ele resolveu pedir para Sérgio Reis trocar a música que estava prevista no roteiro original e cantar outra coisa no meio da cena.
A bronca ao vivo que virou lenda
Benedito Ruy Barbosa estava em casa assistindo tudo de camarote pela televisão. Assim que ele percebeu a mudança da música, o sangue subiu. Não deu outra: o telefone do set de gravação, lá no meio do mato, começou a tocar no mesmo instante. Era o autor, furioso da vida, ligando para dar uma bronca daquelas no diretor e exigir que a cena seguisse o roteiro do jeito que ele mandou.
No fim das contas, as lembranças dos amigos deixaram claro que todo o sucesso dessas novelas inesquecíveis tinha uma explicação: a dedicação e o pulso firme de Benedito. Ele defendia a sua obra com unhas e dentes, garantindo que o público recebesse exatamente a emoção que ele planejou no papel, sem remendos.