Com situação difícil de Bolsonaro, Flávio toma decisão e pode substituir o pai em 2026
Com Jair Bolsonaro inelegível, o senador Flávio Bolsonaro ganha força nos bastidores e pode ser o nome da direita nas eleições de 2026
O novo nome da direita para 2026
Com o ex-presidente Jair Bolsonaro fora da disputa presidencial, o cenário político da direita começa a se reorganizar. Entre os possíveis herdeiros do bolsonarismo, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como o nome mais cotado para disputar a Presidência da República em 2026.

Filho mais velho de Bolsonaro, o senador vem intensificando sua presença política e estratégica, aproximando-se de aliados, participando de eventos públicos e se apresentando como uma figura de continuidade do legado do pai — mas com um discurso mais moderado e articulado.
Nos bastidores, sua movimentação tem causado comentários e divisões dentro da base conservadora, especialmente entre os que ainda resistem à ideia de ver o “filho do capitão” assumir o protagonismo político da família.
Discurso forte em Brasília marca virada na carreira
Durante um ato realizado em Brasília, em defesa da anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, Flávio Bolsonaro fez um discurso firme que reforçou seu papel como principal voz da família no cenário nacional.
“A gente tem a convicção de que, se este país continuar na mão dessa quadrilha, o Brasil acaba de vez. E a gente não vai admitir isso”, declarou o senador, sob aplausos dos apoiadores.
O evento foi visto como um divisor de águas. Pela primeira vez, Flávio se posicionou claramente como líder de um movimento político e não apenas como defensor do pai. A fala, transmitida nas redes sociais e replicada por influenciadores conservadores, ampliou seu alcance e o consolidou como o herdeiro político de Jair Bolsonaro.
Bastidores: desconforto e cautela entre aliados
Apesar da força crescente, a movimentação de Flávio causou desconforto dentro do PL e entre partidos aliados do Centrão. De acordo com reportagem da Veja, integrantes da sigla avaliam que uma candidatura dele poderia fragmentar a direita e enfraquecer o bloco de oposição, abrindo caminho para a reeleição de Lula em 2026.
Pesquisas internas reforçam essa cautela: segundo o Instituto Ipespe, 74% dos entrevistados afirmam não considerar o senador um bom nome para concorrer à Presidência — embora ele mantenha um núcleo fiel de apoiadores bolsonaristas.

Nos bastidores, políticos do partido defendem uma reaproximação com nomes mais experientes, como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, mas reconhecem que o apelo da família Bolsonaro ainda é uma força eleitoral incontestável no campo da direita.
Estratégia: foco na segurança pública e na imagem de gestor
Flávio Bolsonaro vem tentando se descolar da imagem puramente ideológica para se apresentar como um parlamentar de resultados. À frente da Comissão de Segurança Pública do Senado, ele tem pautado projetos de endurecimento penal, combate ao crime organizado e apoio às forças policiais, temas de grande apelo popular.
A estratégia é clara: associar sua imagem à de um político com perfil técnico e discurso firme, capaz de dialogar tanto com a base conservadora quanto com o eleitorado moderado que se afastou do bolsonarismo nos últimos anos.
Além disso, Flávio tem trabalhado sua presença digital, com postagens mais ponderadas e foco em ações legislativas — uma tentativa de mostrar maturidade política e preparo para cargos maiores.
Relação com o pai e papel dentro do PL
Com Jair Bolsonaro cumprindo pena em regime domiciliar e proibido de manter contato direto com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Flávio passou a atuar como principal interlocutor entre o pai e o partido.
Essa função estratégica o colocou no centro das articulações e, ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre seus ombros. O senador precisa equilibrar lealdade familiar, alianças políticas e a missão de preservar o capital eleitoral do bolsonarismo para 2026.
Segundo analistas, Flávio se tornou “o elo institucional” entre o bolsonarismo e as legendas de direita, enquanto os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro seguem atuando em frentes mais radicais e digitais.
Desafios e o futuro político
O principal desafio de Flávio Bolsonaro será unificar a base conservadora sem perder o apoio dos setores mais ideológicos. Parte do eleitorado bolsonarista ainda vê com desconfiança o tom mais equilibrado do senador, enquanto outros enxergam nisso uma vantagem para atrair novos eleitores.
Além disso, sua candidatura enfrentaria resistências dentro do próprio PL, que cogita apoiar outros nomes competitivos caso as pesquisas não mostrem crescimento significativo até o início de 2026.
Ainda assim, o senador tem apostado em uma narrativa de continuidade e renovação — um “Bolsonaro 2.0”, capaz de modernizar o discurso e ampliar o diálogo político sem abandonar os valores que o movimento defende.
Conclusão: o herdeiro político em ascensão
Mesmo com as divergências internas e os números ainda modestos nas pesquisas, Flávio Bolsonaro se posiciona como o principal sucessor natural do pai.
Sua postura mais contida, o foco em segurança pública e a aproximação com lideranças regionais podem consolidar seu nome como a opção mais viável da direita em 2026.
O caminho até lá será desafiador, mas uma coisa é certa: o jogo político está aberto — e Flávio, mais do que nunca, parece disposto a assumir o legado e o protagonismo da família Bolsonaro.