Mãe tenta conter o filho em surto psiquiátrico, sofre fratura no braço e o pai morre
Filho em surto psiquiátrico mata o ex-deputado Paulo Frateschi e fere a mãe, Yolanda Vianna, que sofreu fratura no braço ao tentar defender o marido.
Em Vila Ipojuca, São Paulo, uma família de luto tenta processar uma dor que transcende a tragédia. O ex-deputado estadual Paulo Frateschi perdeu a vida em um evento doméstico brutal, sendo morto pelo próprio filho, Francisco Frateschi, de 34 anos, durante um surto psiquiátrico. A mãe, Yolanda Vianna, a heroína silenciosa desta história, está hospitalizada após tentar, desesperadamente, salvar o marido.
O Ato de Amor e a Fratura da Mãe
O crime ocorreu na última quinta-feira (6/11) na residência da família. Segundo os relatos, Francisco estava em um intenso surto psiquiátrico quando atacou o pai com uma faca. O instinto de Yolanda Vianna foi o de qualquer mãe ou esposa: a intervenção imediata, a tentativa de se colocar entre o filho em crise e o marido em perigo.
O ato de amor e coragem custou-lhe caro: Yolanda foi atingida e sofreu uma fratura grave no braço. Ela foi socorrida e levada à UPA da Lapa, a mesma unidade onde seu filho, Francisco, permanece internado sob escolta policial. A dor física se soma, inevitavelmente, à dor emocional de ver sua família ser destruída pela doença mental.
A tragédia também atingiu a irmã de Francisco, Yara Frateschi, que sofreu ferimentos leves, mas carrega o peso do trauma de ter presenciado a cena.
A Consciência Suspensa e o Pedido de Exame
O drama desta família tem um matiz de incompreensão e desespero. Durante o velório de Paulo Frateschi, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Yara Frateschi, a irmã, tocou em um ponto crucial: seu irmão "não voltou" à realidade, confirmando que Francisco não tem consciência do ato que cometeu.
Este detalhe é devastador. Francisco, que já está internado, aguarda uma decisão judicial sobre a prisão preventiva solicitada pela Polícia Civil. O destino dele será definido por um fator vital: o exame psiquiátrico que avaliará suas condições mentais.
Se o laudo confirmar a total inimputabilidade em decorrência do surto, o caminho mais provável será o encaminhamento para um hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, e não para uma unidade prisional comum.
O Luto Silencioso da Mãe Hospitalizada
Enquanto a investigação se aprofunda e o futuro de Francisco pende do laudo médico, Yolanda Vianna permanece hospitalizada. Sua lesão no braço a impede de prestar depoimento, e sua condição exige cuidados contínuos, sem previsão de alta.
A dor de Yolanda é tripla: perdeu o marido, viu o filho causar a morte do pai e está fisicamente ferida por tentar impedir o inimaginável. O silêncio da mãe hospitalizada, que não pode sequer interrogar a si mesma sobre o que aconteceu, é o retrato mais cru e humano desta tragédia familiar, um lembrete doloroso de como a saúde mental pode, em seus extremos, romper os laços mais sagrados.