Orelhões serão retirados das ruas de todo o Brasil

Meta Description: O fim de uma era: Anatel inicia a retirada definitiva dos orelhões em todo o Brasil a partir de janeiro de 2026. Saiba por que os telefones públicos estão sendo extintos e onde eles ainda permanecerão ativos até 2028.

Orelhões serão retirados das ruas de todo o Brasil; veja no MAPA quantos ainda existem na sua cidade

Anatel começa a retirada definitiva de telefones públicos em janeiro, após o fim das concessões de telefonia fixa. Apenas cidades sem outra opção de comunicação manterão o serviço até 2028.

O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil. Os orelhões, os famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional, começarão a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil em janeiro.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional. Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.

Fim das concessões e obrigações

Com o fim dos contratos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos. O processo reflete a transição dos modelos de comunicação no país.

A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível. E só até 2028.

Como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país. Dados da agência mostram que mais de 33 mil orelhões estão ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

O orelhão como símbolo cultural

Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias e serviam como ponto de encontro.

Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026. Na imagem, Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura, surge dentro da cabine oval segurando um telefone público.

Design e história: Um ícone nacional

O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa. Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta tornou-se icônica pelo seu design, sendo reproduzida em países como Peru, Angola, Moçambique e China.

Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O design permitia que o som entrasse na cabine e fosse projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo das ruas.

O que acontece agora?

O processo de retirada é o desfecho de um declínio que já vinha ocorrendo. Em 2020, o Brasil ainda contava com cerca de 202 mil aparelhos nas ruas. Com a remoção definitiva iniciada em 2026, o foco das operadoras passa a ser exclusivamente a conectividade digital e a expansão da rede móvel.

As ligações locais e nacionais seguem gratuitas nos aparelhos que ainda estão ativos e operantes durante este período de transição, servindo como um último recurso de comunicação pública antes do desligamento total previsto para daqui a dois anos.